Tenho um diagnóstico, e agora?

O meu modo de olhar para um diagnóstico clínico em que o paciente se apropria do que lhe foi dito, traz muitas inquietudes. Primeiro lugar, um transtorno, uma doença, uma disfunção não definem quem você é.

É preciso compreender que um sintoma pode ser a representação de várias hipóteses diagnósticas. Naturalmente buscamos localizar o que é isso que nos acomete, que se mostra numa dor, num desconforto, numa inquietude, na imobilidade ou impossibilidade de seguir com a nossa vida.  Com isso os desafios vão se revelando sem termos a mínima noção do que nos espera.

Atravessamos sempre uma linha muito tênue quando recebemos um diagnóstico de ordem nosológica, ou seja, algo que foi identificado, nomeado e classificado como uma doença dentro do CID (Classificação Internacional de Doenças) ou do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

Buscando uma lógica para tal, procuramos encontrar a relação de causa e efeito, através de tentativas que muitas vezes não nos dão respostas. Buscar um apoio psicológico é um caminho importante para enfrentar e lidar com tudo aquilo que nos toma.

Na Psicoterapia Psicanalítica, escutamos o paciente de um outro lugar. O objetivo é buscar localizar, através da sua fala, a causa que possivelmente gera hoje os sintomas presentes e como eles impactam a sua saúde física, mental e emocional.

Segundo Freud (1937/2017), o desencadeamento do adoecimento é fruto de uma conjunção de fatores filogenéticos, ontogenéticos e acidentais que concorrem para um acréscimo de energia em que a quantidade se torna insuportável ao aparelho psíquico, sendo experimentado pelo indivíduo como sofrimento. Com isso, a palavra dita e não dita é o que se produz na transferência entre aquele que sofre e fala do seu sofrimento, a um outro que acolhe escutando sem julgamentos e predefinições antecipadas. Quem chega no meu consultório é escutado para além daquilo que se consegue dizer e para além de um diagnóstico. O medo, o sentimento de impotência, a angústia, tristeza, raiva, são reconhecidos e acolhidos num lugar de respeito e importância. Falar alivia, atenua, liberta e possibilita o caminho para a cura.

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